Pouco abordada e debatida no Brasil, a pobreza menstrual, isto é, a falta de condições financeiras para a compra de produtos de higiene, como absorventes, é uma triste realidade para centenas de milhares de mulheres país afora, inclusive jovens estudantes da rede pública de ensino.
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Segundo estimativas, meninas podem chegar a perder até 45 dias de aula a cada ano letivo por falta de acesso a absorventes íntimos quando estão menstruadas.
A Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, visando atacar esse problema crônico, aprovou uma lei que prevê a distribuição gratuita de absorventes nas escolas da rede municipal.
O vereador Leonel Brizola Neto, autor da lei e presidente da Comissão de Direitos da Criança e do Adolescente da Câmara, relatou em seu voto que “a demanda partiu de pais e mães de alunas da rede municipal preocupados com o constrangimento de suas filhas na primeira menstruação”.
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As estudantes que não possuem condições financeiras para adquirir o produto, muitas vezes, precisam faltar a várias aulas seguidas até que a menstruação cesse, prejudicando seu desempenho escolar.

“Essa lei saiu de um amplo debate dentro da escola pública. A comissão fez visitas semanais e conversamos com pais, alunos, professores e trabalhadores. Muitas alunas, constrangidas, faltam à aula, e muitas não tem condições de comprar absorventes”, afirma Brizola Neto. “Além disso, para a minha surpresa, tomei conhecimento de que são 250 mil alunos dependentes do programa Bolsa Família. É um pequeno detalhe, mas é grave.”
A lei aprovada segue para o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, que pode (ou não) sancioná-la. Segundo Brizola Neto, a secretária municipal de Educação, Talma Romero, teria se mostrado receptiva ao projeto de lei.
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“Há um acolhimento na prefeitura, principalmente pela secretária da Educação, que foi professora durante muitos anos. Ela conhece e entende bem a dificuldade das meninas. Na conversa, disse que vai estudar a lei para fazer a licitação e a considera totalmente viável”, explica. “Trata-se de uma questão de higiene , tal como o papel higiênico.”
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Fonte: O Globo/Foto: Reprodução/Pixabay
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