
Neste depoimento, Michele Oliveira, contadora e veterinária, de
Camaçari (BA), conta como seus cãezinhos a ajudaram a atravessar um momento difícil e, de quebra, ainda a motivaram a praticar atividade física.
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“Eu me formei em ciências contábeis e estava trabalhando na área havia alguns anos quando passei a ter sintomas de depressão. Aos 29 anos, sentia falta de ânimo, mau humor, um vazio, por isso busquei tratamento e precisei usar medicamentos.
Foi nessa época que comecei a pensar em ter outro cachorro. Sempre convivemos com bicho em casa, e sabia do bem que os animais podem fazer a seus donos. Só não havia nenhum naquele momento porque minha mãe, que acabava ficando com o trabalho mais pesado dos cuidados, não queria mais.
Mas me comprometi a ser a responsável por tudo e, para a minha surpresa, ela aceitou. Escolhi um cãozinho da raça dachshund, o Bug. Por causa dele, passei a contar as horas para sair do trabalho, voltar para casa e me jogar no chão, brincando feito criança. O problema é que ele era muito carente: não podia ficar sozinho que chorava.
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“Eles fazem festa pra todo mundo e, sem querer, eu interagia com as pessoas”
Acabei convencendo minha mãe de que ele precisava de uma companheira e, no mês seguinte, a Eva chegou. O engraçado é que eles têm personalidades opostas. O Bug é calmo; a Eva, agitada. Ele gosta de ficar junto da gente, ela prefere ser independente, brincar sozinha.
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Os dois contribuíram muito para que eu melhorasse da depressão. Se antes eu só saía por obrigação, depois que tive de incluir passeios diários na rotina para os dois se exercitarem passei a achar esse momento prazeroso – até porque eles fazem festa para todo mundo e eu, sem querer, interagia com um monte de gente.
Essas caminhadas também me estimularam a voltar a praticar atividade física. Por me sentir cada vez melhor, encarei uma nova graduação e me tornei veterinária, uma vontade que havia ficado adormecida.”
Texto: Romy Aikawa
Foto: Marcus Steinmeyer
Conteúdo publicado originalmente na TODOS #38, em julho de 2021.
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