No último sábado (15), um morador de Iraí de Minas, no Triângulo Mineiro, repercutiu nas redes sociais após compartilhar a foto de um suposto meteorito que teria caído próximo à cidade um dia antes.
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Na imagem, ele aparece lavando o fragmento de corpo celeste com uma escova e detergente antes de, aparentemente, disponibilizá-lo para venda.
“‘Ó’ o sinal que ela derreteu com o calor, olha aqui! E outra coisa também, ela quebrou com a pancada, olha lá. Cabou de lavar ela”, narrou o rapaz, que não quis se identificar.
Não demorou muito para a foto viralizar internet afora – e levantar a dúvida entre muitos internautas se tocar objetos vindos do espaço é um risco para a saúde.
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A kriptonita! pic.twitter.com/6MMDfcjWTR
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— Gustavo de Paula (@gustavo_leigan) January 15, 2022
Em entrevista ao portal “BHAZ”, o astrônomo Marcelo de Cicco, coordenador de um projeto brasileiro de pesquisa envolvendo meteoros no Observatório Nacional, disse que o pequeno corpo celeste não causa nenhum mal ao organismo humano.
Entretanto, recomenda que o mais correto é levá-lo a um centro de estudos astrofísicos, onde profissionais treinados poderão manusear o objeto adequadamente.
“Não há perigo nenhum em pega-lo, é uma rocha comum. Mas não precisa lavar, o recomendado é cobri-lo e colocar dentro de um saco plástico. Quando a pessoa encontra um objeto que suspeita que seja um meteorito ela precisa entrar em contato com a universidade federal mais próxima, porque lá tem o setor de metalúrgica, o setor da área de química, que fazem o encaminhamento”, explicou.
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Eu ia pegar o meteoro com uma sacola plástica me achando um cientista, depois falaria que segui todos os protocolos orgulho da OMS, e colocava a venda pic.twitter.com/kOk1o90SrP
— ALEXANDRE ? (@alexandrepontz) January 16, 2022
“Quem quer comprar um meteorito?”
No último fim de semana, uma montagem que mostra o suposto meteorito sendo vendido por mais de R$ 15 mil em um site de compra e venda viralizou nas redes sociais.
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E por incrível que pareça, segundo Marcelo, esse comum é relativamente comum no Brasil – ainda que seja ilegal.
“Eu sou uma das pessoas no Brasil que combate esse mercado de objetos científicos, mas tem gente até da área de ciências envolvido em compra e vendas de meteorito”, lamentou o astrônomo.

“Existe um decreto no Brasil que todo objeto científico – o meteorito se enquadra nele – tem que ter autorização do Ministério de Ciência e Tecnologia pra sair do Brasil. Se não tiver, é considerado contrabando. Mas em geral ele vai escondido na roupa, por correio”, disse.
“Tem os meteoritos que são os mais comuns, eles alcançam até um valor baixo, mas tem alguns tipos com liga metálica que alcançam valores de milhares de dólares por grama. Também tem os meteoritos marcianos, que atingem valores altos. Varia muito no mercado e esses costumam ser anunciados de compra e venda”, completou.
https://www.instagram.com/p/CYxo7Y0ML0p/?utm_source=ig_embed&ig_rid=6fad40f3-686e-49a9-b0a9-7375cf655685
Tesouro inestimável para a ciência
Os meteoritos são, em geral, formados por grãos de poeira e carbono. Outros, mais valiosos (e raros), podem ser formados por ferro, níquel e outros metais pesados.
De toda forma, o que importa, segundo Marcelo, é o valor científico desses corpos celestes.
“É muito mais estratégico você estudar um objeto que veio do espaço, do que mandar uma sonda para o espaço para estudá-lo, o que demanda muito mais tempo e dinheiro. Esses objetos são testemunhos do surgimento do sistema solar, são verdadeiros relógios arqueológicos, marcadores das transformações que o sistema solar vem passando”, explicou.
Fonte: BHAZ
Fotos: Reprodução / Instagram: @bh.da.zueira
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