Existe uma vida antes e outra depois do nascimento de uma criança. Qualquer pai e mãe irão dizer isso. Tudo se transforma. Isso vale para todos os pais, não importa se são biológicos ou adotivos.
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O fotógrafo João Danilo Almeida produziu um bonito ensaio de um casal no estilo antes e depois de terem sido pais de três lindas crianças. Só a carta escrita pela mãe contando como era a vida dela e do marido antes e depois do “nascimento” dos filhos, endereçada aos próprios filhos, consegue ser mais lindo.
“Há nove meses nossa vida era tranquila, nossa casa era arrumada. Há nove meses sobrava mais tempo para nós, para programas a dois e para individualidades. Dormíamos o quanto queríamos, fazíamos refeições calmamente. Líamos, conhecíamos o amor na sua mais complexa amplitude.”
Nove meses depois…
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“Somos aquilo que sonhamos: pais. Nossa vida não é nada tranquila. Na verdade, corremos do nascer ao findar de cada dia. Nossa rotina passou a ser a dos nossos filhos. Nossa agenda, um encaixe ou outro entre os compromissos deles. Substituímos a individualidade pelo bem-estar coletivo. Ensinamos e reaprendemos o significado da palavra consenso.”
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A mãe continua o texto narrando as descobertas e aprendizados que uma nova família traz: para ela, o marido e os três filhos (duas meninas e um menino). “Hoje, nos reencontramos, nos reinventamos, renascemos. Ainda erramos, mas acertamos muito mais.”
A mãe finaliza a carta gradecendo aos filhos por ela e o marido terem sido adotados, pelas crianças terem permitido os dois fossem pais delas. “Se vocês meus filhos, não ficaram ligados a mim por um cordão umbilical durante a gestação, saibam que, nestes últimos nove meses, ensinaram ao papai e a mim que amar em triplo, é a melhor forma de amor.”
Veja as fotos e deixe o amor dessa família te inspirar:


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Leia a carta na íntegra:
“Há nove meses nós tínhamos um sonho, sermos pais. Há nove meses nossa vida era tranquila, nossa casa era arrumada. Há nove meses sobrava mais tempo para nós, para programas a dois e para individualidades. Dormíamos o quanto queríamos, fazíamos refeições calmamente. Líamos, assistíamos filmes, escutávamos músicas que nos agradam.
Há nove meses achávamos que conhecíamos o amor na sua mais complexa amplitude. Há nove meses pensávamos que a felicidade plena nos acompanhava em nossa jornada. Há nove meses, estávamos completamente sozinhos, perdidos e errados.
Hoje, nove meses depois, somos aquilo que sonhamos: pais. Nossa vida não é nada tranquila. Na verdade, corremos do nascer ao findar de cada dia. Nossa rotina, passou a ser a dos nossos filhos. Nossa agenda, um encaixe ou outro entre os compromissos deles. Substituímos a individualidade pelo bem-estar coletivo. Ensinamos e reaprendemos o significado da palavra consenso. As noites ficaram mais curtas. A cama recebe por vez ou outra um intruso durante a madrugada. As refeições, bem mais saudáveis que as de antes, são turbulentas e animadas. Passamos a conhecer personagens de desenhos animados que nem sabíamos que existiam. Constatamos que a Xuxa, mesmo depois de tantos anos, ainda tem o mesmo carisma e capacidade de entretenimento.
Hoje, nove meses depois, aprendemos o verdadeiro significado do amor. Vimos que ele pode ser divido entre filhos e, mesmo assim, ser absurdamente imensurável. Percebemos agora, nove meses depois, que a felicidade está nas pequenas coisas, nos pequenos gestos. Que ela não custa caro. Ao contrário, em sua simplicidade, nos lota totalmente, em todos os instantes, até nos dias nublados e mais difíceis. Hoje, nove meses depois, estamos juntos, vinculados, unidos. Hoje, não importa tanto o passado, os momentos não vividos, as primeiras vezes que deixamos de desfrutar. Hoje, nos reencontramos, nos reinventamos, renascemos. Ainda erramos, mas acertamos muito mais.
Somos pais de meninas e de menino. De crianças e de mocinha. Somos pessoas diferentes, melhoradas, infinitamente mais evoluídas. Somos eternamente gratos por termos sido adotados, por nossos filhos terem nos permitido sermos seus pais, por Deus ter lhes mostrado o verdadeiro caminho de casa, enquanto estávamos perdidos.
Não concebemos vocês. Não os gerei eu meu ventre. Não senti as dores do parto. E isso, nada nos importa. Se vocês meus filhos, não ficaram ligados a mim por um cordão umbilical durante a gestação, saibam que, nestes últimos nove meses, ensinaram ao papai e a mim que amar em triplo, é a nossa melhor forma de amor.
………
Ensaio de antes e depois da formação da nossa família, da chegada dos nossos três filhos, feito pelo melhor fotógrafo do mundo: meu amigo, compadre, colega de trabalho, confidente, escudeiro…de certa forma, filho do coração. Por conhecer nossa história como poucos, conseguistes descreve-las em imagens, de forma única. Nossa eterna gratidão João Danilo Almeida.”
Fotos © João Danilo Almeida – Reprodução Autorizada
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