Entre uma consulta e outra em um agitado hospital público do Rio de Janeiro (RJ), o médico Eduardo Fernandes chamou apressadamente um nome para sua sala de atendimento. Exclamou ‘João da Silva!’, conforme estava escrito no papel. Subitamente uma mulher trans se levanta, para sua surpresa.
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Em meio a risadas e um constrangimento generalizado no hospital, ela se levanta enquanto o médico lamenta pelo descuido. Durante a consulta, Eduardo pergunta ‘qual é o nome’ da mulher, ao que ela responde: ‘Yasmin Victoria’. Ela estava sentindo uma dor na lombar.
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Minutos após a avaliação, Yasmin retorna à sala do médico com um bombom Serenata do Amor em uma das mãos.
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Eduardo pergunta se ela está melhor, ao que ela responde: “Eu to melhor é da minha dignidade, doutor. Eu fui muito bem tratada, mas achei o olhar do senhor triste. E dizem que os olhos são o espelho da alma. Posso dar um abraço no senhor?”
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Transfobia é um problema crônico no Brasil
O relato foi publicado no perfil do médico no Facebook há cerca de seis meses e já acumula mais de 200 mil reações e 104 mil compartilhamentos.
Em meio a uma sociedade ainda tão transfóbica como a brasileira, o relato é um oásis, um frescor que contrasta com tantas notícias ruins.
De acordo com a ONG Transgender Europe, apesar do Brasil ser um país mais aberto à comunidade transexual, travesti e transgênera se comparado às nações da África, Oriente Médio e Sudeste Asiático, infelizmente somos a nação que mais mata indivíduos dessa comunidade em todo o mundo.
Avanços contínuos tem atenuado esse problema nos últimos anos, como a possibilidade de utilizar o nome social em repartições públicas – 2000 mudanças foram confirmadas em cartório apenas em 2019.
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Eduardo comentou a repercussão do seu relato que se tornou viral. “Assustado porque é impressionante o tanto de gente me parabenizando por ter feito nada menos do que minha obrigação. Contei essa história para falar de como eu me senti trocando de posição cuidador/cuidado, porque naquele dia especificamente, eu estava muito mal. Foi muito difícil sair de casa para ir ao plantão. Não escrevi para me vangloriar de ter feito o meu papel de respeitar o nome social”, afirmou.
Confira o post na íntegra:
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2348345508549621&set=a.652216341495888&type=3
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Fonte: Jornal de Boas Notícias
Fotos: Reprodução / Facebook
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