No Brasil, mais de 31 mil crianças estão órfãs, acolhidas em abrigos, e mais de 34 mil pessoas pretendem adotar, segundo o Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento.
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Com a pandemia da Covid-19, um estudo desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) constatou que mais de 40 mil crianças ficaram órfãs pela perda dos pais para a doença. Outro levantamento feito pelo Portal da Transparência do Registro Civil estima que mais de um milhão de pessoas não têm o nome do pai na Certidão de Nascimento.
Todos esses dados demonstram uma difícil realidade do nosso país, mas há Razões para Acreditar em meio a este cenário. Maria Helena, Ellen, Wellyngton, Allyson e Rayane são a prova de que o amor pode ser multiplicado e que em coração de pai sempre cabe mais um, um não: cinco. Os meninos ganharam não apenas um nome de pai nas suas certidões, mas logo dois: Duda e Geninho Goes.

“Nós sabemos a falta que faz um pai”, diz Geninho, relembrando que o seu pai saiu de casa quando ele tinha seis anos de idade e voltou quando Geninho já tinha mais de 20. Duda perdeu o pai em um acidente aos 8 anos de idade. “Queremos ser o pai que não tivemos”, explica. E são!
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“Nunca senti isso tão forte, não preciso amar apenas alguém que conheço. Eles são meus filhos”, conta Geninho.
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A história dessa família ficou conhecida a partir de um vídeo.
Mas tem muito mais nos bastidores dessas cenas. Vamos rebobinar a fita!
Numa tarde de fim de semana, Geninho e Duda dividem a janela do apartamento em que moram em Balneário Camboriú (SC) para espiar o jardim da rua. Crianças brincam sorridentes, uma chuta bola, a outra desce no escorrego. Já eram decorridos dois anos de casados, sete de relacionamento. Nunca pensaram em ter filhos. Os dois veem as crianças, pensam rapidamente num futuro com elas. Mas nada dizem, se calam. A tarde cai e a janela se fecha, mas não a porta para a paternidade. Vão assistir ao jornal e lá está uma reportagem sobre adoção e uma história emocionante. Assistem petrificados e ao fim, se olham. Os dois estão em prantos. Não precisa falar nada. Geninho só pergunta: “Tem certeza disso?”. De Duda não sai palavra, só choro, e um balançar de cabeça que expressa com mais força o que vem de dentro. SIM! No outro dia estão no Fórum para se habilitarem à adoção. Dias depois vão assistir a uma palestra de trabalho. Entram na sala e as pessoas estão falando sobre adoção. Uma assistente social pergunta se eles têm interesse em adotar uma criança e mostra no celular a foto de uma menina. É Maria Helena! Se animam, mas outras duas famílias já estão na fila para processo de aproximação. Geninho percebe que está na palestra errada. Não era para eles, nem a palestra, nem a criança. Passam-se semanas e o telefone toca. Uma família desistiu, a outra devolveu a criança. Maria Helena era pra ser deles.
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Em meio a tantas frustrações, a garota sofre com cada ida e vinda. Confiar em dois estranhos novamente não será fácil. Geninho, que é psicólogo, diz que precisou dar várias provas de amor. “Ela não acreditava no amor de ninguém”, conta.
Aos poucos, Helena, nome de origem grega que significa Luz, irradia a casa de Duda e Geninho.
Foram oito anos de uma troca intensa. “Eu quis sempre viver tudo que a paternidade me traz”.
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Maria Helena lembrava que tinha uma irmã menor e sabia que tinha um irmãozinho e sonhava revê-los, mas não passava em sua cabeça, nem em sonho, ter outros dois irmãos. É aqui que entra o vídeo (veja abaixo).
Geninho e Duda foram em busca da irmã e do irmão mais novos e descobriram que havia uma família de cinco. Resolveram adotar todos os irmãos. “Não restou dúvida”, diz Duda.
Mostraram as fotos dos três menores a Maria Helena, mas ela não conhecia. Depois mostraram a foto antiga da irmã com quem ela teve contato. Caiu a ficha! Caiu no choro!
Eram quatro irmãos menores que esperavam por ela e que agora estariam juntos. “Nosso reencontro não aconteceu antes porque a família precisava estar toda reunida”, disse Maria Helena.
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E tem mais: a mais novinha de todos era uma bebê de meses. Nem os outros irmãos sabiam que a bebê era sua irmã, mesmo convivendo juntos no abrigo. Foi uma surpresa para eles também, menos para Wellyngton, pois ele disse que sentia que aquela bebê que vivia no abrigo junto com eles era sua irmã. Essa coisa de ligação entre irmãos é muito forte, né?
De pais de uma para pais de cinco
Tudo isso aconteceu no segundo semestre de 2022. O ano em que Maria Helena ganhou de uma vez quatro irmãos e que Duda e Geninho pularam de pais de uma para pais de cinco.
Duda é administrador, mas tem que se desdobrar para administrar cinco crianças, duas escolas, aula de piano, escola de artes, natação, terapia…
Geninho é parapsicólogo, escritor, palestrante, foi diretor do Beto Carrero World, secretário de Turismo de Balneário Camboriú. Hoje é PAI!
“Estudei muito para ser pai. Eles conseguem arrancar o melhor que há em mim”, diz na sua sabedoria.
A casa tem os desafios de toda família, mas não há brigas. A disciplina é a forma encontrada por eles para educar. Os meninos são fofos como os pais. “É uma história de cura para as crianças e para nós”.
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Nas redes sociais, Geninho compartilha o dia a dia no perfil @paiciencianapratica, uma mistura de paternidade, paciência, arte e ciência.
“Não existe criança órfã só dentro de abrigo, mas tem criança órfã dentro de casa também. Se puder influenciar mais pais, que possam adotar crianças na fase tardia, se puder estimular que os pais sejam mais conscientes, talvez seja o grande propósito da nossa vida”, finalizou.
Confira o momento emocionante em que Geninho e Duda revelam para Maria Helena que eles também adotaram todos os seus irmãos:
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